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| Foto: Mateus Lotif / Fortaleza EC |
Existem jogadores importantes. Existem líderes. E existem aqueles raros casos em que o atleta vira sinônimo do clube. Tinga é esse tipo de personagem. Quando o Fortaleza anunciou a rescisão contratual, não comunicou apenas o fim de um vínculo profissional. Oficializou o encerramento de uma era.
É impossível contar a história recente do Fortaleza sem passar por Tinga. Ele esteve em campo quando o clube sonhava com a Série A, quando a Série B parecia um desafio enorme e quando a Libertadores deixou de ser fantasia para virar realidade. Não foi coadjuvante em nenhum desses momentos. Foi protagonista.
Os números ajudam a dimensionar a grandeza, mas não explicam tudo. São 389 jogos, 10 títulos, gols em clássicos, decisões continentais e campanhas históricas. Só que Tinga sempre entregou algo além da estatística. Ele jogava como quem entendia o peso da camisa, como quem sabia exatamente o que o torcedor sentia do outro lado da arquibancada.
O Fortaleza cresceu, amadureceu e ganhou respeito. E Tinga cresceu junto. Em campo, foi lateral, ala, zagueiro improvisado, líder emocional e referência técnica. Fora dele, virou exemplo. Não à toa, Marcelo Paz resumiu tudo em uma frase simples e certeira: “Ele é o Fortaleza”. Não é força de expressão. É constatação.
A homenagem no Pici foi simbólica e justa. Camisas, troféus, discursos e emoção. Mas a maior homenagem já foi feita ao longo dos anos, jogo após jogo, quando Tinga escolheu ficar, voltar, insistir e acreditar. Em 2018, quando ligou dizendo que queria retornar independentemente de salário, mostrou que algumas decisões não passam pelo bolso, mas pelo coração.
Tinga representa um Fortaleza que luta, que não se entrega e que aprendeu a competir sem perder identidade. Um clube que saiu do rótulo de coadjuvante para ocupar espaço entre os protagonistas do futebol brasileiro. Essa transformação tem muitos nomes, mas poucos tão marcantes quanto o dele.
Ele deixa o elenco, mas não deixa o clube. Vai seguir presente na memória coletiva, nas arquibancadas, nas conversas de bar e nas futuras gerações que ouvirão histórias sobre um lateral-direito que parecia jogar com o escudo tatuado no peito.
Alguns jogadores passam. Outros ficam. Tinga é daqueles que ficam para sempre.
